O banco decidiu abrir a torneira. Mas colocou um filtro na saída.
Por que o Bradesco quer dobrar o crédito a incorporadoras, o número que separa este ciclo da crise de 2015 – e o manual pra usar o banco como alavanca, não como coleira.

Toda semana, o Capital Stack pega um movimento de funding do mercado imobiliário, destrincha o que realmente aconteceu e vira isso em lição prática para quem toca obra, incorpora ou investe. O tema de estreia caiu no colo: um dos maiores bancos do país acabou de anunciar que vai abrir mais a torneira do crédito para incorporadoras.
O ponto não é só o volume. É o filtro silencioso por trás do apetite – e o que isso muda na forma de montar a capital stack de quem pede dinheiro.
Por que o Bradesco abriu a torneira
Enquanto o mercado repete que "com juro alto ninguém empresta para tijolo", o Bradesco fez o contrário: anunciou que quer ampliar o crédito a incorporadoras – e ainda disse enxergar um cenário saudável.
A carteira do Plano Empresário – a linha que financia a incorporação, do canteiro à entrega das chaves – fechou 2025 em R$ 37 bilhões, alta de 31% em um ano. A meta é chegar ao fim do primeiro semestre de 2026 em R$ 40 bilhões: o dobro do que o banco emprestava para o setor cinco anos atrás. E esse volume nem inclui o Minha Casa, Minha Vida, nicho em que o Bradesco não atua.
Na crise de 2015–2017, banco olhava para incorporadora e via risco. Hoje olha e vê cliente. O que mudou não foi o juro (que segue alto) – foi a saúde de quem está pedindo dinheiro.
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